Repeti essas palavras por incontáveis vezes durante os últimos meses. Para filhos, irmãos, netos e amigos dos que tristemente se foram.
Vivemos um momento de grande provação. Provação emocional, física, social. Mas a escala de grandeza de nossa desgraça, também nos apresenta uma provação de outro tipo: léxica e semântica.

Palavras de conforto e demonstrações de empatia são essenciais durante o processo de luto, tanto para quem as demonstra, quanto para aqueles que as recebem.

Mas quando a dor da perda evitável se alastra de forma sufocante, essas palavras começam a deixar de comunicar aquilo que sentimos. Estaríamos diante de um entorpecimento emocional, ou não sabemos mais o que, de fato, estamos sentindo?

Há semanas tenho me indagado sobre a forma quase automática como reagimos a cada tragédia. E comecei a tentar redigir algumas dessas reflexões durante o dia de ontem (12/05). Mas, como parece ser a tônica desde 2019, não há tempo nem para processarmos nossos sentimentos, nem para que nossas reflexões encontrem terra firme. São abatidas a meio-voo e perdem qualquer rumo.

Barraco na CPI com ameaça de prisão de Fabio Wajngarten, por mentir em depoimento, e com o filho do presidente insultando outro senador de vagabundo.
Mudança autoritária no regimento interno da Câmara Federal.
Câmara Federal destroçando o licenciamento ambiental.
Canetada aumentando salário do alto escalão para além do teto.
Nova pesquisa Datafolha com favoritismo de Lula e altíssima rejeição a Bolsonaro.

Amostra de um dia.

Meus sinceros sentimentos… sejam eles quais forem.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *