A nova pesquisa Datafolha me instigou a imaginar um cenário para 2022 pouco provável, mas possível.

O apoio popular de Bolsonaro derreteu. E a intenção de voto de Lula foi às alturas! Seria a CPI? Talvez. A Pandemia? Improvável. O Bolsolão noticiado pelo Estadão? Muito cedo para ter impacto significativo. Ou ainda, como sugere minha esposa, seria a fome voltando à realidade da família brasileira? Com uma tristeza enorme, afirmo que é o motivo mais provável.

A verdade é que o apoio a Bolsonaro deve ter atingido o limite inferior. Cair mais, é extremamente improvável.
Mas… se a rejeição ao presidente não se alterar, ou aumentar, não é impossível que ele perca também a maior parte de sua sustentação política.
Em um cenário como esse, em que o atual presidente começa a ficar distante de uma reeleição, as forças políticas que o seguem por conveniência (ao menos, aqueles sem implicações criminais), começariam a migrar para uma outra opção.

Isso, na verdade, representaria o agravamento da crise brasileira até 2023. Sem contar com nenhum incentivo para moderar seu discurso, Bolsonaro deve dobrar a aposta no discurso ideológico insano.

Arthur Lira, presidente da Câmara, estaria implicado até o nariz nas acusações do Bolsolão?
Não sei. Mas os últimos dias demonstraram que este neoCunha usará todo seu poder para passar TODA a boiada. Já modificou o regimento interno da Câmara para restringir a atuação da oposição, com o intuito de “agilizar o andamento das discussões”! No mesmo dia, a base governista já aprovou o desastroso texto base do projeto de lei que enfraquece a eficácia do licenciamento ambiental. Arthur Lira, ainda, segundo Bolsonaro, é quem viabilizará o voto impresso.

Irá para o tudo ou nada! Como se não tivesse amanhã! E essa movimentação se intensificou após publicação da matéria do Estadão, e deve se intensificar ainda mais com a reeleição de Bolsonaro sendo cada vez menos provável.

Bolsonaro é tão ruim que ressuscitou Lula, mas, também, Sergio Moro! Este, que já era carta fora do baralho na corrida presidencial, ganha nova força, e deve atrair a intenção de voto da extrema-direita.

A CPI dá mostras de que não acabará em pizza, e uma nova CPI do Bolsolão é provável.
A Famiglia Bolsonaro estaria disposta a arriscar que seu “Don” fique sem cargo eletivo passível de foro privilegiado?

Se Bolsonaro não recuperar sua popularidade de 35%, até o fim do ano, ele desistirá da sua candidatura à presidência! E será candidato a deputado federal! E digo mais, durante as eleições se reaproximará de Sergio Moro!

Um cenário criativo? Com certeza!
Mas há algo que seja impossível nesse momento?

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